Coringa (Le Fou)

Você, sendo como carta qualquer
do baralho, ou,
como todas as peças do xadrez,
todo são e estratégico,
quadrado e em si
cartesianamente fechado;

Você, sendo carta qualquer
saiba que o Coringa um dia pertenceu ao xadrez,
jogo são e quadriculado
como a toalha de mesa de uma cantina
uma taverna pelas retinas de Chaplin.

Uma carta qualquer,
ri da desgraça do Coringa palhaço,
enquanto ele chora
enquanto ele sangra sua piada.

Trunfo já foi e sempre será
para os Reis, prezado Coringa,
e aos mesmos, uma ameaça continuará sendo,
qualquer Coringa desgarrado;

A verdade é que o Coringa é livre
o Coringa é a carta sem naipe
sua loucura o livra das castas
das estirpes
do chão ladrilhado do palácio
ao caos & lama donde pisa seus passos
seus guizos barulhentos
sua sapatilha multicolorida
colorida pelas retinas de um gênio
de digna extravagância como Chaplin.

Preso às loucuras mais sórdidas
mais tontas, mais hilárias
me parece ser livre, me parece feliz
me soa estar sempre acompanhado
da tristeza mais solitária.

Há mais verdades acerca dos Coringas
mas estes as guardam por sob sua loucura
qual vocês temem, da qual dão risada
esta verdade nua e pura
o Coringa descobriu quando com as mãos
agarrou a alvorada
quando o Luar lhe sorriu
quando seus guizos solitários
foram os únicos menestréis da estrada.

Façanha

Os fatos são as vísceras de gado
com que o gótico veste seus feitos
suas façanhas, suas ações
suas superações

Fez-se grito descomunal
foi-se partindo de vez, corações
face ao presente nublado
firmo que agora, de tão tarde
tenhamos que valorizar o que há de valor no bárbaro.

Sim, admito que talvez já seja este o momento
donde a força vale mais que a superstição
a ciência se nega a contradição
Humanidade, nossa superação
dependerá de encararmos e vestirmos os fatos

nossos trajes contemporâneos mais barbáricos.
seria além do caso de ser rude
voltar a ser um tanto silvestre
ações mais humildes de maior simplicidade
para que as superações não destruam a cidade.

.:G.:C 14:41 - 14/11/2011 - - pelo IMPEACHMENT de Geraldo Alckmin!

Tempo das Palavras

As palavras, as coisas,
os significados, voces.
Enxame de cheiros, cardume de chances.
Desbravando o encoberto, descobrindo bravamente.
Nao que me faca lembrar de quando
eram somente vinte anos, suficientemente vinte anos
sobrecarregadamente, vinte anos;
Eu vejo, eu vi
Eu vim para o tempo das palavras
Onde o quando replica imagens
de um agora, ainda futuro,
a espera de reviver...
Em essencia temos o poder --
e o dever -- de estarmos prontos,
sempre! Para renascer.

Paraíso Conquistado

o Amor é a máxima equação
que não usa números nem sinalização
é a regra clara, do Todo a imensidão
convence, sem persuasão
é gigante, enorme, então
é o que faz-te Todos, uma só canção
é o que une Tudo, numa só versão
é eu e você, irmão
é o caminho, o toque da grande Mão
minúsculos mas muitos, são
plural e singular serão
do inho ao ão, Hão
tal complexo que simples, o Amor.
Tal fácil, que difícil, eis a Humana dor.

SOB O TAPETE

------------------
SOB O TAPETE
------------------
Tecer o que poderia ter sido
algo que ainda não tenham tentado
que seja novo, diferente
ignorar o espectro e o pó
das rosas mal-resolvidas
de nossos pais, nossos avós
Será preciso encarar a responsa
além de arcar com o que nos foi legado
não urge o resgate do passado
insta a remissão do futuro
será preciso olhar para frente
face-a-face com o problema presente
bem debaixo de nossos narizes
e que não cabe mais sob o tapete

por Gustavo Loureiro Conte

Grátis DIA

Grazi, não quero fazer alarde
acerca de minha rima
não traço versos
apenas para botar para cima.

Me admiro contigo, menina
e sei estarem certos
quaisquer poemas feitos com justiça;

Não entendo o que te assusta,
sendo justa e destemida,
como é feita, a vera vera poesia.

Não compreendo a fadiga,
sendo tão bela moça,
sendo em si o nome --
o nome da própria alegria!

Sei que não degusta
tanto assim de alegorias
Então, esqueça as metáforas:

Nada te impede de colher o dia!

Arte-birra, Arte-Manha

_ESPADA GINSU_
(arte-birra-arte-manha)

Juliana que todo mundo ama
juliana que nunca se engana
JULIANA que pede amor
juliana que nos alivia a dor
juliana que esmurra a faca
atravessa as paredes
deusa-flor
Juliana que mata sua sede
que é o que tu nunca cede
cujo sangue verve
se murchar a melodia
sede tenor
Juliana merece a mais alta patente
da lâmina do Samurai penitente
Juliana é refratária
dispensada
por que o regimento autoritário
sucumbe a sua navalha
pela sua ginga que desvaira
que peleja, muito válida
mas a luta de Juliana
com a Senhora, não condiz.
minha Pátria ama. . .

do velho coronel
ao jovem general
da geléia com mel
as gerais da geral

Juliana, pega essa tua chama
acende logo a sanha
do ladrilho no palácio
no descanso dos deuses, além da Montanha

Juliana, sua artimanha
Juliana, com ou sem manha
embala mais com sua artimanha

Juju (mesh com as estrelas)

E eu, que trabalho
com computador
andava meio
com puta dor

eu, workaholic
evitando alcoholic
álcool, alcohol
I'm cool, all cool
keep cool, siempre Sol

Sol, si,
como o altaneiro astro
eu juro que não conhecia
uma tão cheia de energia
confesso a idolatria
ao perfume, ao traço
inúmeros nós meus desfaço
se for pra encarar meus passos
tal qual e única, Júlia

quando lúdica
nosso balão, decolaria ao espaço
e mesmo sendo avião à jato
deve ser daquelas máquinas
com autopiloto engajado
afinal, quem a saberia pilotar?
claro, claro
metáfora, pero, não deixando de lado
o mágico

claro, claro
elegantemente descomportada
estrondosamente reservada
Júlia, troco a maioria das minhas estrelas
se dividisse comigo, sua alvorada

Olha, poderiam ser amenas as palavras;
mas... eu não quero!

E veja, precisaria ser uma ameba falsária;
para quando contigo não se compartilhar
apenas, meus amigos, o belo!

Mor legal levar tudo tão docemente à sério
E ó, antes que o poeta se esqueça, é vero:
que ela dá vida aos monótonos numerais,
cores às tabelas às matrizes às figuras
música para a chatice euclidiana
faz dos meshes uma balada,
donde polígonos enchem a cara

ocê renderizou possibilitando aqui
meio que um novo coração,
acho que agora sara!

Mal Maitre

Gostaria de sua massa encefálica
num prato mal servido
para beber,
teu copo de cólera.

A pasta deve estar "al dente"
mas não vou mordê-la.

Na Etiópia, as crianças morrem de fome.
Cá no Brasil, prefiro passar fome
a morrer de vergonha.

Il perdono, solo una parola.

Vai, corre.

Aí SIM!

Será que seria um problema
ser o Sol, ser a Lua,
sempre os mesmos lá entre estrelas
enquanto cá, por nossa rua, nossa roça
por estas todo dia se labuta?

Sempre veremos ser bom
a disposição, a coragem, a ternura
e com força perseveraremos,
têm seu preço a beleza e a doçura

Também então não seja problema
que cada estrela seja em si única
e creio que dentre umas, há realeza
pois carregam em si, todas estas
estas, Carol, estas que são suas

Desde o clarão do Sol em teus cabelos,
a doçura enigmática da Lua;
Carol nos veio visitar, tal estrela --
mas não é turista, não é fresca,
tem mãos para obrar toda cidade, guria rara,
a construir o novo desta vida
vejo pela coragem, no fundo de tua íris clara,
perseverando além de tua mocidade:
disposta a enfrentar, custando o que custar
o preço da humana luta.

Eis a verdadeira beleza,
que faz jus a tua forma,
sendo tua verdadeira nobreza,
eta minina firmeza.

Desencontro

Juliana,
Ah, fosse apenas Juliana.

Não seria por quem tal verso clama
eu te encontrarei pois a cidade nos chama

Juliana, fosse apenas Juliana,
não atenderia por este nome
não portaria tal coroa de chamas

pela luz que acalma a fera
pela destreza,
bela,
de um novo tipo de dama
a guria que este verso conclama
cujo nome Juliana

Eu sei como você se chama
eu sei que carrega aquela chama
meu verso te conclama
mas como, novamente, hein, Juliana?

EU VOU FALAR SÓ UMA VEZ.

EU VOU FALAR SÓ UMA VEZ.

Desliguem por favor estas luzes da modernidade,
pq meu amigo dinossauro não consegue dormir,
com a claridade da cidade. Obrigado.

(PS: insônia é ruim)

Player

I played for You
with all You gave me mine
To play for Him
with all He gives me mine
I wanna play it
I wanna play my best
I wanna play all of mine

Memento Mori

Só os solitários
compreenderão a morte
pois ao final de ti
e a continuidade de tudo
(que permanece sem tua tal presença)
porém, e claro, foste indispensável;
tu, criança - -
tua dádiva, fizeste carregar certa essência
tua brancura tua palidez cadavérica
no fundo retratam a lembrança
das noites que passaste incertas

Somente os solitários
aceitarão a morte
pois no fim de tudo para ti
estarás sozinho
somente os solitários
conhecem o mais fácil caminho

Nesta vida, ao viver,
CONTE SIM COMIGO
mas lembre-se
que estarás, de fato
sempre sempre só
labute pelo teu ninho

Gear of accelerating breaks

Lime lemon temptation
she's green she's dark
she's brighter than rainbows

citric scenes
wild winds
I just want to sail her

Please don't ever fade us.
..
..
.
.
.
.

...

Capinhas da Chuva Singela

Toró terno
Quando estrelas estão bailando na Terra
vestem capinhas de chuva
capinhas para a chuva singela

Oceano d'aureágua
Meninas, ora, senhoras
sem hora para o delicado
sem medo de instaurar o recado
se sementes, se serpentes,
sem antídoto, sem seca
jamais o infrutífero
Rainhas, Princesas
Plebéias de sã demência

Guardiãs de essência

La tara nasal

Que foda, FREUD!

Sem compromisso,
com La ScientiÆ. .(!)

pois,
para não dar pala,
omitira a nasal fase
de la jogada.

Ah, Freud, te armei
emboscada;

TU E TUA PRETA TARJA
frente ao teu espelho
T O T A L. - - -

Tua TARA NA SAL (!)

Prossegue pelo caminho das pedras

Vamos hoje, de novo, talvez,
ou talvez pela primeira vez
mas indo de novo
ou da vez primeira

vamos de forma forasteira
vamos desta vez pelo caminho das pedras
vamos contornar as trevas
vamos enfrentar a brisa

A ventania,
o cheiro livre do Mar.
Ar, seu frio seu vapor;

as águas, que salgam refrescam;
acudindo afogando
experimentando nós próprios
fortuna água imensa, este espelho de nós mesmos
nossa Vida nossa Sorte, nessa imensidão
a Morte . . .

O fogo da luz
o fogo do Sol
tocando nossa pele,
arrepio úmido
de um toque perene e breve;

A rocha terra que nos trilhará
e por vez uma ilusão sólida
que nos persegue
amaldiçoa
pa nos libertá;

Nascemos frente-a-frente com
o gêmeo de nós mesmos
faça dele amigo ou inimigo
traga dele o que há de humano contigo.

Prossegue, abestaiado,
pelo caminho das pedras;
e quando teu ouvinte
te vir ambíguo
te chamar de cabra
de peste

Prossegue pelo caminho das pedras:
teu ouvinte escolherá
no sendeiro de cada peça
o caminho a se trilhar
por cada palavra que ocê versa.


Seria isto a CANETA DE UM CARPINTEIRO ?

CANETA PARKER URBAN PREMIUM Marrom Metalica Rollerball

SERIA isto a CANETA de um Carpinteiro ?

N___________________________________e REI, mas sei ser uma P
...ã_____________________________b.............................E
.......o_____________________a...................................N
...........s e i; N ã o Ss ..........................................A
que a E
......S
......P
......A
.....D
....A

Reine na quebrada. Prendam este gatilho, pois a guerra já foi disparada (!)

pena branca
Imagem via: http://recantolirica.wordpress.com/

Vai que você tem que vir, menino

Esta é uma carta com algumas cores daquelas tais árvores que caem no meio da floresta,
longe dos olhos, por detrás dosolhos além de tudo que se ousa compreender. Mas é vera, sincera, eu escrevo sem pensar em arrepender.

Não vou mais me esquivar de escrever-te esta carta, sejam os empecilhos, apenas empecilhos.
Esta carta que escrevo para ti, mas quem seria ocê? Quem seria ocê? Uma prostituta, uma comerciária,
uma jornalista, uma advogada, uma enfermeira, uma copeira? Do que seria da moça que seria minha
irmãzinha mais velha que minha mãe perdeu logo na barriga?

Devo chamar-lhe pelo quê? Devo pedir perdão por batizá-la, ou devo pedir perdão por não lhe dar o teu tal nome?
Decido apelidá-la. Por ser sem-nome, arremeto as escavações de civilização cretense, vixe, lá no Palácio de Knossos;
à deusa-cobra sem-nome. Arqueólogos já a associam ao cuidado da casa, e no Antigo Egito, à Wadjet.

Wadjet por sua vez seria ligada aos cultos de ÍSIS, que portava o ankh. Em torno de teus seios,
deusa-cobra-sem-nome, portas um laço-nó que também representa o ankh. E eis a causa de quase apelidar-lhe de Ísis,
pero,
em nome de nossa italianice, STELLA MARIS te apelido, já que corresponderia assim aquela qual se cultuava na terrinha macarrone.

E de uma deusa-sem-nome tu passas a ser para mim, a "Deusa de muitos nomes", a Ísis do Império Romano,
"Mãe" -- no arquétipo -- "Guia do Navegante, Estrela", no poético -- Hey, Stella -- Oiê!

Gostei.

Pois tu és mistério de Vida. Sei que querias vir. Sei que me fez ver, quando e quanto eu tinha que vir. Eu vim. Eu vi.

Tem coisas que sei. Que você gosta de BEATLES & música céltica tanto quanto eu -- você é muito mais inteligente; você é mais brava,
porém sou eu que tenho menos compaixão. Você é mais corajosa, porém sou eu quem sou desastrosamente imprudente.
Em tudo você é menos paciente, mas mais minuciosa. Você me ensina, do primeiro verso da poesia ao último parágrafo da prosa.

.
.
Não tenho como agradecer a não ser fazendo o que me disse, e agora,
..EU ME LEMBRO, você disse que o menino vai ter que vir, então: "Vai, que você tem que vir, menino."
.
EU VOU. Vamos então.
.

Áureo Molde da Menina



Tudo que é ouro, metálico
maleável e bem avaliado
pode não ser do molde áureo
da moça que a seguir retrato;

Fosse uma boneca de porcelana
não seria macia e cheirosa
seria fria e lustrosa
não brisaria enquanto flor

não brilharia linda vibrância
em teu par de olhos lindos
solfejando o fogo que arde

por entre o chão pisado de tuas estrelas
e as estrelas, justamente as estrelas
todas moldadas certas para sua maneira.

òi eu aqui de novo




(!)

Eu Vôo

Estava descendo a Rua Augusta
e passei por ela
depois voltei
e disse:

-- Vou fazer uma poesia para você, tá ?

e ela disse: "Vai?"
e eu disse "Vou!"
Agora, digo;
acho que alço vôo.

Tarantella del fiori gialli

Uma flor de margarida abriga uma ente
minusculamente demasiada e muita
um espectro numa flor de margarida
sem-nome, doida, varrida
minusculamente cantaria
sobre o que gostava
e sobre o que lhe desgostava
numa flor de margarida
tudo tudo que ela gostaria
era ser de fato apenas uma menina
sem ser demasiadamente minúscula
ou doida, doida varrida
numa flor de margarida.

A última taça que Ayrton ergueu pelo Brasil

Naquele movimento retilíneo
meio uniforme, meio cínico,
completamente terrível
assustador e irrefreável
como um avião a jato enorme
chocando-se contra o concreto
chocando a todos
choramos
e na chuva de gotas salgadas
Erguera sua última taça
de coragem e luta pelas cores e cantos
que ele chamou e que nós chamamos
Brasil, Ayrton Senna do Brasil.

O primeiro pódio de Senna

Só poderia ser mágico;
Um fenômeno fantástico
um garoto brasileiro
cujas garras eram reais
muito mais reais que os véus
da admiração do Mundo
muito mais forte
que as pesadas cores
das bandeiras hasteadas
por lentos breves segundos

Ayrton Senna comemorou
pero
seu primeiro pódio foi o segundo lugar
mesmo pole position
é um jogo, é um jogo ó rapaz forasteiro
Quem é você, garoto brasileiro?
se sabes que é um jogo cujas regras não são ditadas
por alguém como ocê, mesmo que chegaste em primeiro!

Ayrton Senna comemorou
e vitorioso por detrás dos véus
das máscaras do ardil jogo envergonhado
pois sua vitória era clara e nítida demais
para a hipocrisia, para os capetais.

Ode to the tired soldier

The DAWN OF MAN
realized inside a soul
real life the size of a bowl
a good 'ol ice cream of snow
a ball of snow
melting in pain
in the soul of the sweating tired soldier.

This is the ode for the tired soldier.

याद

O EXTERMINADOR DO FUTURO

O EXTERMINADOR DO FUTURO

Entrevistador: Como o Sr. candidato pretende melhorar a condição básica de vida da população como um todo?

Entrevistado: Com a cabeça-no-lugar, e a administração na ponta-do-lápis. Sou um homem de resultados. Enxugar a máquina. Liderar esforços. Meu lema quanto a governo é um só: seriedade, trabalho, trabalho, muito trabalho e dedicação. Sou um homem sóbrio. Não gosto dessa história de falação. Comigo é assim: mais ação, menos falação. Não me apetece esse negócio de ficar votando, discutindo. Menos discussão, mais ação. Não me apetece a democracia, mas eu gosto de eleição. É uma forma bonita de entrar em contato com a população. Eu gosto do povo.

Enxugando a máquina, com a administração na ponta-do-lápis, e a cabeça-no-lugar, economizaremos toneladas de dinheiro e tempo, todos gastos com o aparato burocrático. Gosto de burocracia, mas não gosto de baderna. Tempo é dinheiro, e eu gosto de dinheiro. Mas dinheiro público é uma coisa séria.

Comigo é assim: trabalho, trabalho e muita dedicação. Sem se precipitar, com a cabeça-no-lugar. Meu lema quanto a governar é um só: seriedade e perseverança. Tenho a cabeça no lugar, e não desisto nunca. O governo precisa de um homem para segurar a rédea e tocar essa administração com firmeza e seriedade, calejando com a enxada todas suas duas palmas da mão.
O governo precisa de um homem sóbrio com cabedal para acabar com a imoralidade e ostentar a hóstia da tradicional família e dos cidadãosdebemtrabalhadores que construíram esse país.
O governo precisa estar com a cabeça no lugar, sóbrio e com menos falação.

Dinheiro é coisa séria, e o Brasil precisa crescer, precisa progredir, o Brasil vai fazer uso de seus recursos naturais infinitos com dignidade, chega de atraso! Comigo é assim: com a cabeça-no-lugar, e a visão para o futuro. O Brasil não pode mais perder tempo com discussão, com votação, com falação. Não. Tempo é coisa séria. Sou um homem sóbrio. O Brasil é coisa séria. O Brasil não pode perder tempo. Eu gosto do Brasil. Não me apetece o atraso decorrente desse negócio de ficar falando, desse negócio de ficar discutindo, desse negócio de incentivo aquilo, incentivo fulano, incentivo à cultura, e tudo que se ouve são impostos aqui, impostos ali, onde qualquer cidadãodebemtrabalhador percebe que é impossível o empreendedorismo na hecatombe sofrida pelo indivíduo nessa época de globalização. Comigo é assim: enxugar a máquina, na tentativa de reduzir os impostos, e acabar com essa baderna de perder tempo discutindo sem a cabeça-no-lugar. Sou um homem sóbrio.

O Brasil e eu não temos mais paciência para perder nosso tempo e nosso dinheiro, sou cidadãodebemtrabalhador, com cabedal, sobriedade e não gosto de falação. Minha receita é diagnóstico, é estetoscópio, é prescrição de remédio. Comigo é mão na massa, ponta-do-lápis, cabeça-no-lugar, seriedade; levo dinheiro à sério, e meu lema é um só: seriedade, compromisso com o Brasil, a cabeça-no-lugar, mão na massa e gosto pelo espírito comunitário. Com trabalho e dedicação, compromissado com a governança e o funcionamento da máquina enxuta reduzindo impostos. O Brasil já está à todo vapor na era da Informática e do desenvolvimento. O que esse país precisa é a cabeça-no-lugar, e aquele empurrãozinho pra locomotiva entrar em funcionamento. Claro que é preciso ter a administração na ponta-do-lápis para criar todo um cenário frente à globalização que possibilite esse progresso, que vai acontecer à todo-vapor, com dedicação, nos trilhos, com seriedade.

Eu gosto do povo. Menos discussão, mais ação. Não me apetece a democracia, mas eu gosto de eleição. É uma forma bonita de entrar em contato com a população. Com Ordem, asfalto e avenida, e a cabeça-no-lugar. E seriedade.

(texto escrito por Gustavo Loureiro Conte, em 2006)

Alquimia

MEU COMPROMISSO COM A HISTÓRIA QUANTO AOS ATAQUES CIBERNÉTICOS DO NOVEMBRO 2011

http://www.istf.com.br/showthread.php/15234-Porta-voz-de-QUANTICO-teme-q...

por Altamiro Borges

O candidato Geraldo Alckmin realmente parece um “picolé de chuchu”, segundo a famosa ironia de José Simão. Mas de inocente ele não tem nada. Conhece bem a história nefasta do Opus Dei e os seus métodos autoritários, tecnocráticos e “discretos” de agir batem com esta doutrina. Numerário ele não é, já que não reside nos casarões da Obra de Deus, não fez voto de castidade e, tudo indica, não usa duas vezes ao dia o cilício nas coxas (cinturão com pontas de metal) e nem a “disciplina”, outro utensílio de autoflagelação utilizado para chicotear as costas. Mas Alckmin se encaixa perfeitamente no figurino do supernumerário, o seguidor da seita com “disfarce civil” e a missão divina de conquistar poder político para o Opus Dei.

A origem fundamentalista
O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a “iluminação divina” durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um “fanático e doente mental”, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria “uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade”, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação.
Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros “perigosos” e proibia sua leitura pelos fiéis. “Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo”, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro “Opus Dei: El totalitarismo católico”.

O poder no Vaticano
Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, “a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger”. Em 1982, a seita foi declarada “prelazia pessoal” – a única existente até hoje –, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia.
O ápice do Opus Dei ocorreu em outubro de 2002, quando o seu fundador foi canonizado pelo papa numa cerimônia que reuniu 350 mil simpatizantes na Praça São Pedro, no Vaticano. A meteórica canonização de Josemaría Escrivá, que durou apenas dez anos, quando geralmente este processo demora décadas e até séculos, gerou fortes críticas de diferentes setores católicos. Muitos advertiram que o Opus Dei estava se tornando uma “igreja dentro da Igreja”. Lembraram um alerta do líder jesuíta Vladimir Ledochowshy que, num memorando ao papa, denunciou a seita pelo “desejo secreto de dominar o mundo”. Apesar da reação, o papa João Paulo II e seu principal teólogo, Joseph Ratzinger, ex-chefe da repressora Congregação para Doutrina da Fé e atual papa Beto 16, não vacilaram em dar maiores poderes ao Opus Dei.
Vários estudos garantem que esta relação privilegiada decorreu de razões políticas e econômicas. No livro “O mundo secreto do Opus Dei”, o jornalista canadense Robert Hutchinson afirma que esta organização acumula uma fortuna de 400 bilhões de dólares e que financiou o sindicato Solidariedade, na Polônia, que teve papel central na débâcle do bloco soviético nos anos 90. O complô explicaria a sólida amizade com o papa, que era polonês e um visceral anticomunista. Já Henrique Magalhães, numa excelente pesquisa na revista A Nova Democracia, confirma o anticomunismo de Wojtyla e relata que “fontes da Igreja Católica atribuem o poder da Obra a quitação da dívida do Banco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982”.

O vínculo com os fascistas
Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco. “O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais”, afirma Henrique Magalhães.
Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: “Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões”. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: “Escrivá, com toda certeza, era fascista”.
Escrivá até tentou negar estas relações. Mas, no seu processo de ascensão no Vaticano, ele contou com a ajuda de notórios nazistas. Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, “ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, por meio do cardeal Eugenio Pacelli, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler”. Um outro texto, assinado por um grupo de católicas peruanas, garante que a seita “recrutou adeptos para a organização fascista ‘Jovem Europa’, dirigida por militantes nazistas e com vínculos com o fascismo italiano e espanhol”.
Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma “peregrinação” pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica.

Infiltração na mídia

Para semear as suas idéias religiosas e políticas de forma camuflada, Escrivá logo percebeu a importância estratégica dos meios de comunicação. Ele mesmo gostava de dizer que “temos de embrulhar o mundo em papel-jornal”. Para isso, contou com a ajuda da ditadura franquista para a construção da Universidade de Navarra, que possuí um orçamento anual de 240 milhões de euros. Jornalistas do mundo inteiro são formados nos cursos de pós-graduação desta instituição. O Opus Dei exerce hoje forte influência sobre a mídia. Um relatório confidencial entregue ao Vaticano em 1979 pelo sucessor de Escrivá revelou que a influência da seita se estendia por “479 universidades e escolas secundárias, 604 revistas ou jornais, 52 estações de rádio ou televisões, 38 agências de publicidade e 12 produtores e distribuidoras de filmes”.
Na América Latina, a seita controla o jornal El Observador (Uruguai) e tem peso nos jornais El Mercúrio (Chile), La Nación (Argentina) e O Estado de S.Paulo. Segundo várias denúncias, ela dirige a Sociedade Interamericana de Imprensa, braço da direita na mídia hemisférica. No Brasil, a Universidade de Navarra é comandada por Carlos Alberto di Franco, numerário e articulista do Estadão, responsável pela lavagem cerebral semanal de Geraldo Alckmin nas famosas “palestras do Morumbi”. Segundo a revista Época, seu “programa de capacitação de editores já formou mais de 200 cargos de chefia dos principais jornais do país”. O mesmo artigo confirma que “o jornalista Carlos Alberto Di Franco circula com desenvoltura nas esferas de poder, especialmente na imprensa e no círculo íntimo do governador Geraldo Alckmin”.
O veterano jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há muito denuncia a sinistra relação do Opus Dei com a mídia nacional. Num artigo intitulado “Estranha conversão da Folha”, critica seu “visível crescimento na imprensa brasileira. A Folha de S.Paulo parecia resistir à dominação, mas capitulou”. No mesmo artigo, garante que a seita “já tomou conta da Associação Nacional de Jornais (ANJ)”, que reúne os principais monopólios da mídia do país. Para ele, a seita não visa a “salvação das almas desgarradas. É um projeto de poder, de dominação dos meios de comunicação. E um projeto desta natureza não é nem poderia ser democrático. A conversão da Folha é uma opção estratégica, política e ideológica”.

A “santa máfia”
Durante seus longos anos de atuação nos bastidores do poder, o Opus Dei constituiu uma enorme fortuna, usada para bancar seus projetos reacionários – inclusive seus planos eleitorais. Os recursos foram obtidos com a ajuda de ditadores e o uso de máquinas públicas. “O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais”, acusa um documento de católico do Peru.
A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais. Com a ofensiva neoliberal dos anos 90, a privatização das estatais virou outra fonte de receitas. Poderosas multinacionais espanholas beneficiadas por este processo, como os bancos Santander e Bilbao Biscaia, a Telefônica e empresa de petróleo Repsol, tem no seu corpo gerencial adeptos do Opus.
Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de “santa máfia”, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, “além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e expostos em 1986, a Obra determina que ‘os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem ao Opus Dei’. Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada, o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos”.
O jornalista Emílio Corbiere cita os casos de fraude e remessa ilegal de divisas das empresas espanholas Matesa e Rumasa, em 1969, que financiaram a Universidade de Navarra. Há também a suspeita do uso de bancos espanhóis na lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. O Opus Dei esteve envolvido na falência fraudulenta do banco Comercial (pertencente ao jornal El Observador) e do Crédito Provincial (Argentina). Neste país, os responsáveis pela privatização da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por grupos espanhóis, foram denunciados por escândalos de corrupção, mas foram absolvidos pela Suprema Corte, dirigida por Antonio Boggiano, outro membro da Opus Dei. No ano retrasado, outro numerário do Opus Dei, o banqueiro Gianmario Roveraro, esteve envolvido na quebra da Parlamat.

“A Internacional Conservadora”

O escritor estadunidense Dan Brown, autor do best seller “O Código da Vinci”, não vacila em acusar esta seita de ser um partido de fanáticos religiosos com ramificações pelo mundo. O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais. Henrique Magalhães garante que a “Obra é vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica”. Num livro feito sob encomenda pelo Opus Dei, o vaticanista John Allen confessa este poderio. Ele admite que a seita possui um patrimônio de US$ 2,8 bilhões – incluindo uma luxuosa sede de US$ 60 milhões em Manhattan – e que esta fortuna serve para manter as suas instituições de fachada, como a Heights School, em Washington, onde estudam os filhos dos congressistas do Partido Republicano de George W.Bush.
Numa reportagem que tenta limpar a barra do Opus Dei, a própria revista Superinteressante, da suspeita Editora Abril, reconhece o enorme influência política desta seita. E conclui: “No Brasil, um dos políticos mais ligados à Obra é o candidato a presidente Geraldo Alckmin, que em seus tempos de governador de São Paulo costumava assistir a palestras sobre doutrina cristã ministradas por numerários e a se confessar com um padre do Opus Dei. Alckmin, porém, nega fazer parte da ordem”. Como se observa, o candidato segue à risca um dos principais ensinamentos do fascista Josemaría Escrivá: “Acostuma-se a dizer não”.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).

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